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O nascimento de uma Janeite

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Em janeiro de 2005, quando, aos 15 anos de idade, travei, por meio da leitura de Orgulho e Preconceito , meu contato inicial com a obra de Jane Austen (16 de dezembro de 1775  – 18 de julho de 1817), não vislumbrava a possibilidade de que o refinado estilo irônico, a acurada penetração psicológica, as engenhosas tramas amorosas e os inesquecíveis tipos humanos, inerentes às narrativas da referida autora, incutir-me-iam interesse e amor por seus escritos. A bem da verdade, ao debruçar-me sobre os primeiros episódios do livro supracitado, eu, em razão da pouca idade, ainda que já fosse uma leitora voraz, estranhei sua linguagem razoavelmente formal e ignorei a criação sutilmente perspicaz que se descortinava diante de meus olhos, considerando entediante o romance que eu decidira explorar por sugestão de minha mãe. Meu desprezo, todavia, não ultrapassou o terceiro capítulo da obra-prima austeniana, a qual, no decorrer de sua leitura, graças às qualidades mencionadas no iníci...

30 anos de Isabel

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Neste mês se completam inacreditáveis 30 anos desde que ganhei a boneca Bebezinho, da coleção Bebezinhos, da Estrela, inesquecível presente de Dia das Crianças, que se tornou meu mais amado brinquedo de infância. Aqueles que acompanham meu blog certamente já conhecem Isabel, graças às publicações Declaração de amor a uma boneca e Bonecas bebês da infância , as quais agora complemento com esta postagem, que, ao mesmo tempo que homenageia a neném em questão, presta um agradecimento a minha saudosa avó. Isso porque a mãe de minha mãe foi a responsável por confeccionar a maior parte do guarda-roupas de minha querida menina, que ganhou da "bisavó" cinco modelitos diferentes de vestidos, alguns dos quais me recordo de terem sido bolados por mim, mediante desenhos que fiz e que minha avó interpretou e  –  mesmo que, em certas ocasiões, tenha reclamado da tarefa  –  trouxe à vida, com suas costuras. Abaixo exponho, pois, cada uma das peças em pauta e explico o significado q...

A relevância dos brinquedos e das brincadeiras na vida infantil

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Devem ser, ao longo de toda a infância, estimuladas a inocência, a ludicidade e a liberdade, que, por meio de artifícios variados, como histórias, estudos e brincadeiras, promovem num indivíduo o desenvolvimento consistente de suas capacidades motoras, cognitivas, emocionais e sociais. Nos últimos anos, entretanto, menor importância tem sido conferida particularmente ao ato de brincar, à medida que ascende a popularidade das modernas tecnologias, às quais, num mundo ideal, indivíduos de até 12 anos de idade sequer deveriam ter acesso. Torna-se imprescindível, pois, a redescoberta, por parte das novas gerações, das particularidades e dos prazeres que proporcionam, no cotidiano infantil, brinquedos, a exemplo de bonecas, de bolas, de carrinhos e de jogos, e atividades, tais quais fazer bolinhas de sabão, pular corda, brincar de pega-pega e andar de bicicleta, de maneira que sejam resgatados os valores característicos e fundamentais da meninice. Espera-se que, hoje e sempre, as mentes sen...

Acessórios de cabelo da infância

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Para celebrar o Dia das Crianças, farei algumas postagens especiais este mês. A primeira delas é esta. A foto em questão reúne vários dos acessórios que eu usava na cabeça quando criança. Acredito ter conseguido preservar uma considerável quantidade de peças do gênero, embora lamente o fato de alguns itens terem se estragado ou se perdido com o tempo. Com efeito, enquanto fui capaz de guardar minhas fivelas e meus amarradores mais bonitos, além de quase todas as minhas piranhinhas, só pude conservar três faixas e uma tiara (a mais bela de todas que tive, sem dúvida, mas apenas uma). De todo modo, creio que possuo um conjunto bonito de acessórios, sendo os mais antigos – o amarrador de ursinhos azuis e as fivelas "Moon" e de argolas coloridas – provavelmente de 1993 e o mais novo – a faixa com a bandeira do Brasil, feita por minha mãe –, de 2002. A seguir há fotografias de quando eu era menina em que sou vista com alguns dos itens em pauta. Apareço aqui aos três aninhos de...

Resenha: A Linguagem das Flores, de Sheila Pickles

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A suavidade das mensagens florais Literalmente perfumado com a fragrância da Violetta de Penhaligon's, o livro A Linguagem das Flores: Penhaligon's Tesouro Perfumado em Prosa e Verso associa textos verbais a não verbais a fim de compilar abordagens concernentes a 43 das mais emblemáticas flores que existem. A inglesa Sheila Pickles, autora e editora da seleção, fazendo jus ao antigo e grande amor à jardinagem que devota o povo de seu país, tece, quanto às plantas elencadas, observações a respeito de suas procedências geográficas, explicações acerca das origens de seus nomes e de seus significados (comumente vinculados à mitologia grega ou à clássica), anedotas referentes às variantes de suas nomenclaturas originais e comentários tocantes a velhos ou a atuais costumes e a possíveis empregos atrelados a seus predicados. Ornamentadas são essas ricas elucidações por poemas e por excertos de peças teatrais da literatura clássica, assinados por diversos autores britânicos, e por pin...

Um pouco da compaixão do universo austeniano

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Há pouco tempo, ao reler trechos do romance Razão e Sensibilidade , de Jane Austen, fui novamente cativada pelo episódio transcrito abaixo, um dos que explicam o porquê de Elinor Dashwood, protagonista da referida obra, ser minha heroína literária preferida. Apesar de aparentemente simples, a passagem ilustra, por meio da personagem em questão, a qual, a propósito, pouco conhecia o coronel Brandon até então, a importância de não ceder a julgamentos alheios como norte para definir a personalidade ou as propensões de alguém, mesmo que contra este certas circunstâncias possam ser pouco auspiciosas. São, em suma, defendidos a cautela, o conhecimento e o discernimento como fatores necessários para emitir um juízo de valor a respeito de um indivíduo, a fim de que este não seja alvo de preconceitos, de menosprezo e, assim, de interpretações equivocadas. Não farei exposições particulares acerca do enredo de Razão e Sensibilidade , para que aqueles que ainda não o leram não se depararem com...

Minhas impressões acerca de Roque Santeiro

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Sempre tive curiosidade de acompanhar Roque Santeiro (1985), em razão do fato de ser a telenovela de maior audiência da história da televisão brasileira. A oportunidade surgiu em novembro do ano passado, quando o canal Viva (agora Globoplay Novelas) começou a reprisá-la pela segunda vez, visto que já o tinha feito entre 2011 e 2012, época em que eu fazia faculdade e não tinha tempo para assistir aos folhetins antigos da referida emissora, que sempre os apresentava em horários pouco cômodos. Confesso que, antes de começar a ver a novela, sabendo que, apesar de seu argumento e de vários de seus capítulos terem sido escritos por Dias Gomes, ela havia sido conduzida sobretudo por Aguinaldo Silva, temi que não fosse gostar de seu enredo, justamente por nunca ter apreciado muito as tramas do derradeiro autor citado. Na última sexta-feira, depois de haver concluído os 209 capítulos da obra em questão, percebi que, de certo modo, eu não estava absolutamente equivocada em minha suspeita. O núc...