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Um tributo singelo a um casal apaixonante

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No YouTube , conforme se pode verificar mediante o link abaixo fornecido, acabo de disponibilizar uma homenagem a um casal da teledramaturgia brasileira que, apesar de comumente esquecido pelos noveleiros, apresenta uma divertida, envolvente e adorável história de amor: Ana Cláudia e Luiz Paulo, da telenovela Brega & Chique (1987), escrita pelo saudoso Cassiano Gabus Mendes. Convido todos os amantes de folhetins televisivos a conferirem o tributo, que expõe a maestria com que Patrícia Pillar e Marcos Paulo deram vida ao par romântico em questão, cuja conjuntura do relacionamento aprecio quase tanto quanto a dos inesquecíveis Jô e Fábio, da célebre A Gata Comeu (1985), de autoria da também saudosa Ivani Ribeiro.

Resenha - Os melhores contos de Natal, de vários autores

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Tramas que acalentam o coração Narrativas dotadas de curta extensão, o que implica, em sua arquitetura, a adoção de espaço e de tempo econômicos, de poucos personagens e de ação rápida, os contos fascinam pessoas de idades e de gostos literários variados, daí sua permanente e expressiva popularidade em meio aos leitores de toda época e de todo lugar. Por sua vez, a versatilidade temática desse gênero textual, tão ampla quanto a de qualquer romance, permite o conhecimento de um rico microcosmo, capaz, em certos casos, de enlevar, com a mesma magnitude de um enredo complexo, os sentidos dos indivíduos que viajam por suas páginas. A noção dos atributos dessas tramas modestas estimulou a extinta editora Círculo do Livro a investir, na década de 1990, na publicação de coletâneas de contos, entre as quais Os melhores contos de Natal , de vários autores clássicos nacionais e estrangeiros, destaca-se como uma que pareceu obter grande apreço. As histórias da compilação supracitada abordam a...

Resenha - Comédias da Vida Privada: 101 Crônicas Escolhidas, de Luis Fernando Verissimo

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O valor curiosamente inestimável do dia a dia Exemplar da 32ª edição, de 1996, do best-seller Comédias da Vida Privada: 101 Crônicas Escolhidas Diálogos frequentemente inusitados, aliados a enredos ágeis, são combinados a considerações reflexivas e até filosóficas, pontuadas por sátiras, o que conduz em geral a desfechos inesperados as crônicas do escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo (1936-), atento e perspicaz observador não apenas das idiossincrasias da cultura brasileira, como também das peculiaridades da natureza humana. Assim se revela a essência das narrativas da compilação Comédias da Vida Privada: 101 Crônicas Escolhidas , lançada, em 1994, pela editora L&PM, cuja leitura garante prazerosos momentos àqueles que têm, além de disposição (muito) bem-humorada, percepção sensível dos hábitos e das manias, dos valores e das excentricidades, dos sentimentos e das neuroses e dos pensamentos e das complexidades expressos, em seu dia a dia, por homens e por mulheres comuns.  ...

Uma síntese de minhas impressões acerca da novela Brega & Chique

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Graças ao canal Viva, responsável por reprisá-la entre 19 de fevereiro e 7 de setembro de 2020, pude acompanhar, pela primeira vez, a trama de Brega & Chique , escrita pelo saudoso Cassiano Gabus Mendes, que curti consideravelmente, embora não tenha adorado, entre outros motivos, em razão do fato de conter alguns núcleos destituídos de quaisquer atrativos, tais como o do triângulo amoroso em que se viram, por muito tempo, Teddy, Rosinha e Amaury, e de exibir muitas cenas desprovidas da devida coesão umas com relação às outras, tais quais as das sequências investigativas em que se embrenharam, entre outros, Bellotti, Maurício e João Antônio. Com efeito, aquilo que me motivou a assistir ao folhetim do início ao fim foram os irreverentes episódios apresentando Rafaela e Montenegro e sobretudo a cativante história envolvendo Ana Cláudia e Luiz Paulo, par cuja sintonia pareceu-me imensa logo no começo da novela. Na verdade, toda a sua trajetória, salvo alguns pequenos erros de continuid...

Resenha - A Princesinha, de Frances Hodgson Burnett

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A Princesinha ou os infortúnios inconsistentes e melodramáticos de uma menina afetada e irreal  Para a maioria dos cidadãos europeus da virada do século XIX para o XX, quando o Imperialismo fortalecia a política e enriquecia a economia do Velho Continente, pouco poderia enlevar mais a alma do que servir no exterior sua nação, de sorte a assomar-lhe glórias e a garantir prestígio pessoal. Não deveria haver, pois, muitos homens como o Capitão Crewe, oficial subordinado à Coroa Britânica na Índia, cujo maior orgulho nenhum vínculo detinha com acúmulo de riquezas ou com status social, mas somente com uma genuína e profunda afeição por alguém que, se não fosse, a seus olhos, particularmente especial, teria sido, sem demora, preterido pelo promissor empreendimento no Oriente. Por isso, nada, salvo um doloroso desamparo, tomou conta do coração do militar inglês, quando, de volta a seu país natal, viu-se obrigado a deixar sua querida filha numa escola londrina para meninas, a fim de que ne...

O casal ideal de Cassiano Gabus Mendes

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De acordo com muitos que acompanharam a trama de Brega & Chique em 1987, Ana Cláudia e Luiz Paulo constituíram o par romântico mais adorado do folhetim não só em razão de sua história de amor expressar coerência e encanto, mas também em virtude de seus intérpretes, isto é, Patrícia Pillar e Marcos Paulo, apresentarem forte "química" ou sintonia em cena, fator responsável por gerar especulações concernentes à possibilidade de os dois, tais quais seus personagens, estarem apaixonados um pelo outro. Ainda que, até os dias atuais, evidência alguma que corroborasse essa teoria tenha surgido, pode-se verificar, com efeito, que tanto os antigos quanto os novos admiradores da emblemática novela de Cassiano Gabus Mendes nutrem simpatia pela relação de Ana Cláudia e Luiz Paulo, cuja envolvente dinâmica lembra a de Jô e Fábio, de A Gata Comeu (1985), e a de Diná e Otávio, de A Viagem (1994), enredos assinados por Ivani Ribeiro, outra grande novelista. Isso prova, pois, que algumas...

Resenha - A terra dos meninos pelados, de Graciliano Ramos

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Tatipirun, o País das Maravilhas nacional Raimundo é um menino extremamente solitário. Embora, em seu nome, caiba o mundo, não há, em seu cotidiano, espaço algum para a amizade. Suas peculiares características físicas, representadas pela calvície e pelos olhos coloridos  – o direito, preto, e o esquerdo, azul  – fazem-no, na cidade onde vive, estranho às demais crianças, que por ele nutrem total repulsa, a ponto de esconderem-se do pequeno e de apelidarem-no, de forma maldosa, de “Pelado”. Apesar de não só aceitar a infame alcunha, como também de adotá-la, autointitulando-se “Raimundo Pelado”, o aparente comodismo rotineiro do garoto somente camufla o profundo sentimento de rejeição que, dia a dia, cresce em seu íntimo. A fuga para outra terra, instituída segundo paradigmas totalmente diversos daqueles predominantes em sua localidade natal, torna-se, afinal, o sol no horizonte vislumbrado pelo sofrido menino. Assim que se lhe descortina o mundo mágico de Tatipirun...