Postagens

Uma síntese de minhas impressões acerca da novela Brega & Chique

Imagem
Graças ao canal Viva, responsável por reprisá-la entre 19 de fevereiro e 7 de setembro de 2020, pude acompanhar, pela primeira vez, a trama de Brega & Chique , escrita pelo saudoso Cassiano Gabus Mendes, que curti consideravelmente, embora não tenha adorado, entre outros motivos, em razão do fato de conter alguns núcleos destituídos de quaisquer atrativos, tais como o do triângulo amoroso em que se viram, por muito tempo, Teddy, Rosinha e Amaury, e de exibir muitas cenas desprovidas da devida coesão umas com relação às outras, tais quais as das sequências investigativas em que se embrenharam, entre outros, Bellotti, Maurício e João Antônio. Com efeito, aquilo que me motivou a assistir ao folhetim do início ao fim foram os irreverentes episódios apresentando Rafaela e Montenegro e sobretudo a cativante história envolvendo Ana Cláudia e Luiz Paulo, par cuja sintonia pareceu-me imensa logo no começo da novela. Na verdade, toda a sua trajetória, salvo alguns pequenos erros de continuid...

Resenha - A Princesinha, de Frances Hodgson Burnett

Imagem
A Princesinha ou os infortúnios inconsistentes e melodramáticos de uma menina afetada e irreal  Para a maioria dos cidadãos europeus da virada do século XIX para o XX, quando o Imperialismo fortalecia a política e enriquecia a economia do Velho Continente, pouco poderia enlevar mais a alma do que servir no exterior sua nação, de sorte a assomar-lhe glórias e a garantir prestígio pessoal. Não deveria haver, pois, muitos homens como o Capitão Crewe, oficial subordinado à Coroa Britânica na Índia, cujo maior orgulho nenhum vínculo detinha com acúmulo de riquezas ou com status social, mas somente com uma genuína e profunda afeição por alguém que, se não fosse, a seus olhos, particularmente especial, teria sido, sem demora, preterido pelo promissor empreendimento no Oriente. Por isso, nada, salvo um doloroso desamparo, tomou conta do coração do militar inglês, quando, de volta a seu país natal, viu-se obrigado a deixar sua querida filha numa escola londrina para meninas, a fim de que ne...

O casal ideal de Cassiano Gabus Mendes

Imagem
De acordo com muitos que acompanharam a trama de Brega & Chique em 1987, Ana Cláudia e Luiz Paulo constituíram o par romântico mais adorado do folhetim não só em razão de sua história de amor expressar coerência e encanto, mas também em virtude de seus intérpretes, isto é, Patrícia Pillar e Marcos Paulo, apresentarem forte "química" ou sintonia em cena, fator responsável por gerar especulações concernentes à possibilidade de os dois, tais quais seus personagens, estarem apaixonados um pelo outro. Ainda que, até os dias atuais, evidência alguma que corroborasse essa teoria tenha surgido, pode-se verificar, com efeito, que tanto os antigos quanto os novos admiradores da emblemática novela de Cassiano Gabus Mendes nutrem simpatia pela relação de Ana Cláudia e Luiz Paulo, cuja envolvente dinâmica lembra a de Jô e Fábio, de A Gata Comeu (1985), e a de Diná e Otávio, de A Viagem (1994), enredos assinados por Ivani Ribeiro, outra grande novelista. Isso prova, pois, que algumas...

Resenha - A terra dos meninos pelados, de Graciliano Ramos

Imagem
Tatipirun, o País das Maravilhas nacional Raimundo é um menino extremamente solitário. Embora, em seu nome, caiba o mundo, não há, em seu cotidiano, espaço algum para a amizade. Suas peculiares características físicas, representadas pela calvície e pelos olhos coloridos  – o direito, preto, e o esquerdo, azul  – fazem-no, na cidade onde vive, estranho às demais crianças, que por ele nutrem total repulsa, a ponto de esconderem-se do pequeno e de apelidarem-no, de forma maldosa, de “Pelado”. Apesar de não só aceitar a infame alcunha, como também de adotá-la, autointitulando-se “Raimundo Pelado”, o aparente comodismo rotineiro do garoto somente camufla o profundo sentimento de rejeição que, dia a dia, cresce em seu íntimo. A fuga para outra terra, instituída segundo paradigmas totalmente diversos daqueles predominantes em sua localidade natal, torna-se, afinal, o sol no horizonte vislumbrado pelo sofrido menino. Assim que se lhe descortina o mundo mágico de Tatipirun...

Resenha - Jack & Alice, de Jane Austen

Imagem
Os primórdios da literatura austeniana A edição da novela Jack & Alice , de Jane Austen, publicada, em 2014, pela editora Martins Fontes, encanta pela sagacidade das ilustrações da inglesa Andrea Joseph O sr. e a sra. Austen, ao contrário da maioria dos casais ingleses de posição social respeitável, porém, medíocre, e de condição financeira razoável, contudo, modesta, jamais se eximiram de incitar sua numerosa prole a espelhar-se na postura cotidiana de ambos e a fiar-se nos fermentos culturais do lar, que, entre outros, incluíam a leitura de livros e a encenação de peças, pré-requisitos para que as crianças desenvolvessem o senso crítico, o raciocínio inventivo e a sensibilidade artística. Não há dúvida de que a composição de tal edificativo quadro familiar, em longo prazo, não só moldaria, mas também consolidaria os gostos, as propensões e as personalidades dos indivíduos os quais, sob sua influência, encontravam-se, a exemplo da sensível Cassandra, inclinada a desen...

10 curiosidades literárias a meu respeito

Imagem
A seguir, reúno dez fatos acerca da marcante presença da literatura em minha vida. Foto de parte de minha estante de livros 1- O primeiro livro que li, o que se deu quando eu tinha seis anos de idade, foi um volume de 16 páginas, repleto de ilustrações e acompanhado de uma fita K7, contendo a história da animação Peter Pan , da Disney; 2-  Embora eu goste de ler desde que aprendi a fazer tal coisa, meu grande encanto pela literatura surgiu no fim de minha infância, graças à leitura de alguns títulos da Coleção Vaga-Lume, da editora Ática, e, principalmente, dos romances da série Harry Potter, de J. K. Rowling; 3- Acredito ser o bom leitor aquele que se aventura por campos diversos. Desse modo, aprecio tanto prosa quanto poesia; desde peças teatrais até romances; e não só clássicos das literaturas nacional e estrangeira, como também textos da ficção contemporânea; 4- Sou uma leitora vagarosa, o que significa que, às vezes, levo meses para consumir um título qu...

Feliz Ano Novo!

Imagem
"Happy New Year", canção de 1980 do ABBA Ao redor do globo, todo Ano-Novo comemora-se por bilhões de pessoas, que anseiam por inéditos 365 (ou, caso o ano seja bissexto, 366) dias em que predominem a harmonia, a paz, as alegrias e o amor, sem, no entanto, mover-se sequer um fio de cabelo com o intuito de promover mudanças concretas na rotina ou melhorias visíveis na qualidade de vida. Essa situação, em vez de dar-se em virtude da ignorância das obrigações individuais para com o próprio bem-estar, ocorre, antes, em razão do egocentrismo dos desejos particulares para com as necessidades alheias, que, contrariando as expectativas da maioria, deveriam ser contempladas num momento prévio àquele em que se cogitam quaisquer vontades privadas. A exemplo do que defende a sábia e atemporal letra da canção "Happy New Year", da banda sueca de pop ABBA, May we all have a vision now and then / Of a world where every neighbor is a friend ( Que tenhamos todos, vez ou outra,...